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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Terapia de Reprocessamento da Dor

Tratamento psicológico cura dor crônica retreinando redes cerebrais

Redação do Diário da Saúde

Tratamento psicológico cura dor crônica retreinando redes cerebrais
O tratamento psicológico para a dor crônica teve um resultado inesperado, atestado por exames cerebrais.
[Imagem: Glenn Asakawa/CU Boulder]

Terapia de Reprocessamento da Dor

Dois terços dos pacientes com dor crônica nas costas que se submeteram a um tratamento psicológico de quatro semanas ficaram sem dor ou quase sem dor após o tratamento.

E a maioria manteve o alívio por um ano após a aplicação do tratamento, chamado Terapia de Reprocessamento da Dor (TRD).

Estes resultados impressionantes fornecem algumas das mais fortes evidências já coletadas de que um tratamento psicológico pode fornecer um alívio potente e duradouro para a dor crônica.

"Por muito tempo, pensamos que a dor crônica se devia principalmente a problemas no corpo, e a maioria dos tratamentos até agora tem esse objetivo," explica o Dr. Yoni Ashar, da Universidade do Colorado em Boulder (EUA). "Este tratamento é baseado na premissa de que o cérebro pode gerar dor na ausência de lesão ou após a cicatrização de uma lesão, e que as pessoas podem desaprender essa dor. Nosso estudo mostra que funciona."

A dor que está no cérebro

Aproximadamente 85% das pessoas com dor crônica nas costas têm o que é conhecido como "dor primária", o que significa que os testes são incapazes de identificar uma origem corporal clara, como danos nos tecidos.

Rotas neurais com falhas são pelo menos parcialmente culpadas: Diferentes regiões do cérebro - incluindo aquelas associadas à recompensa e ao medo - se ativam mais durante episódios de dor crônica do que de dor aguda. E, entre os pacientes com dor crônica, certas redes neurais são sensibilizadas para reagir exageradamente mesmo a estímulos leves.

Se a dor é um sinal de alerta de que algo está errado com o corpo, a dor crônica primária é "como um alarme falso preso na posição 'ligado'. A terapia consiste em desligar esse alarme falso: A ideia é que, ao pensar na dor como segura, em vez de ameaçadora, os pacientes conseguem alterar as redes cerebrais que reforçam a dor e neutralizá-la," disse Ashar.

"Isso não está sugerindo que sua dor não seja real ou que está 'tudo em sua cabeça'," enfatiza o professor Tor Wager, observando que as mudanças nas vias neurais do cérebro podem durar muito tempo depois que uma lesão passou, reforçada por tais associações. "O que isso significa é que, se as causas estão no cérebro, as soluções também podem estar lá."

Tratamento psicológico para dor

Antes e depois do tratamento, os participantes também foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional (fMRI) para medir como seus cérebros reagem a um estímulo de dor leve.

Após o tratamento, 66% dos pacientes no grupo que recebeu a Terapia de Reprocessamento da Dor estavam sem dor ou quase sem dor, em comparação com 20% do grupo do placebo e 10% do grupo sem tratamento.

"A magnitude e durabilidade das reduções da dor que vimos são muito raramente observadas em estudos de tratamento de dor crônica," disse Ashar, observando que os analgésicos opioides produziram apenas alívio moderado e de curto prazo em muitos estudos.

Os autores enfatizam que o tratamento não se destina a "dores secundárias" - aquelas originadas em lesões ou doenças agudas.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Effect of Pain Reprocessing Therapy vs Placebo and Usual Care for Patients with Chronic Back Pain
Autores: Yoni K. Ashar, Alan Gordon, Howard Schubiner, Christie Uipi, Karen Knight, Zachary Anderson, Judith Carlisle, Laurie Polisky, Stephan Geuter, Thomas F. Flood, Philip A. Kragel, Sona Dimidjian, Mark A. Lumley, Tor D. Wager
Publicação: JAMA Psychiatry
DOI: 10.1001/jamapsychiatry.2021.2669

https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=tratamento-psicologico-dor&id=14983&nl=nlds

CÉLULAS BIOLÓGICAS e A ELETRICIDADE

 19/10/2021

Células biológicas usam eletricidade também para se comunicar

Redação do Diário da Saúde

Células biológicas usam eletricidade também para se comunicar
É a primeira vez que os cientistas conseguem medir campos elétricos atuando na parte externa das células.
[Imagem: Michael Pycraft Hughes et al. - 10.1038/s41598-021-98102-9]

Eletricidade nas células

Pesquisadores da Universidade de Surrey (Reino Unido) descobriram que nossas células geram um campo elétrico que aparece também do lado de fora da membrana celular, e não apenas dentro da célula, como os cientistas acreditavam até agora.

Isso significa que cada célula funciona como um minúsculo eletrodo.

Uma vez que esta voltagem (tecnicamente, uma tensão elétrica) impacta como as células interagem com seu ambiente, incluindo a forma como elas se unem, isso tem implicações significativas para futuros tratamentos médicos.

Há séculos os cientistas sabem que a eletricidade desempenha um papel na função da vida, mas só na década de 1940 eles descobriram que cada célula contém uma voltagem que controla muitas de suas funções. Esse campo elétrico é particularmente importante nas células musculares e nas células nervosas, mas também desempenha um papel importante em doenças como o câncer.

No entanto, até agora, essa tensão elétrica sempre foi considerada como estando contida no interior da célula.

Ritmos elétricos

Por meio de experimentos complexos com glóbulos vermelhos do sangue, Michael Hughes e seus colegas comprovaram agora que a voltagem também aparece do lado de fora da célula.

Isso significa que as células atuam efetivamente como pequenos transmissores, alterando eletricamente o ambiente ao seu redor.

Se esses resultados foram confirmados em outros tipos de células - é nisso que a equipe está trabalhando agora - isso poderá desempenhar um papel significativo na determinação de novos tipos de tratamento médico.

A equipe também descobriu que as características elétricas dos glóbulos vermelhos apresentam ritmos circadianos, o ciclo natural de 24 horas seguido pela maioria dos seres vivos.

Este "detalhe" é particularmente importante porque a eletricidade no exterior das células apresenta picos coincidentes com a hora do dia em que ocorre a maioria dos eventos de doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos e derrames, fornecendo um área importante para pesquisas futuras.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Vm-related extracellular potentials observed in red blood cells
Autores: Michael Pycraft Hughes, Emily J. Kruchek, Andrew D. Beale, Stephen J. Kitcatt, Sara Qureshi, Zachary P. Trott, Oriane Charbonnel, Paul A. Agbaje, Erin A. Henslee, Robert A. Dorey, Rebecca Lewis, Fatima H. Labeed
Publicação: Nature Scientific Reports
Vol.: 11, Article number: 19446
DOI: 10.1038/s41598-021-98102-9

https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=celulas-biologicas-usam-eletricidade-tambem-se-comunicar&id=14980&nl=nlds

sábado, 9 de outubro de 2021

ENTERRADA MONSTRO!

 


OBESIDADE e AS DOENÇAS POR ELA DESENCADEADAS

Ministério da Saúde alerta para doenças desencadeadas pela obesidade

Quase 20% dos adultos brasileiros estão obesos e metade da população está acima do peso

Com metade da população brasileira acima do peso, Ministério da Saúde alerta para necessidade de hábitos saudáveis

55,7% da população adulta do País está com excesso de peso e 19,8% está obesa, de acordo com Vigitel - Foto: EBC

Atualmente, 55,7% da população adulta do Brasil está com excesso de peso e 19,8% está obesa, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018. O Ministério da Saúde alerta para a necessidade da adoção de hábitos saudáveis para evitar o excesso de peso e as doenças desencadeadas pela obesidade. 

Dados do Vigitel mostram ainda que 7,7% da população adulta apresenta diabetes e 24,7%, hipertensão – doenças que podem estar relacionadas à obesidade. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2013, indica que, dentre os adultos com diabetes, 75,2% têm excesso de peso e, entre os adultos com hipertensão, 74,4% têm excesso de peso. Por isso, é importante ter hábitos saudáveis de alimentação para manter o peso adequado e doenças que podem ser prevenidas.

“A obesidade e as doenças crônicas relacionadas à alimentação são desafios globais e o seu controle e prevenção exigem a implementação de políticas intersetoriais”, ressalta a coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Gisele Bortolini.

No Sistema Único de Saúde (SUS), é na Atenção Primária que as pessoas encontram o suporte profissional necessário para orientações nutricionais de prevenção, controle do ganho de peso e manutenção do peso adequado. Nas Unidades de Saúde da Família (USF), as pessoas propensas a desenvolver obesidade são identificadas e monitoradas para atuação de forma precoce no quadro de ganho de peso excessivo e acompanhamento das enfermidades que podem surgir. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) mostram que, dentre os indivíduos adultos acompanhados na Atenção Primária no Brasil, 27,3% apresentaram obesidade, em 2018.

Contra a obesidade

O Ministério da Saúde assumiu o compromisso de enfrentar a obesidade e vem trabalhando, desde o ano passado, com estratégias que incluem a continuidade do Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (2011-2022), que tem como meta “reduzir a prevalência de obesidade em crianças e adolescentes” e “deter o crescimento da obesidade em adultos”.

O Guia Alimentar para a População Brasileira e o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, atualizado em 2019, são os principais documentos para orientação e promoção da alimentação adequada e saudável no País.

Para aumentar o hábito da prática de atividade física e reduzir as doenças relacionadas ao comportamento sedentário entre os brasileiros, o Ministério da Saúde lançou, em 2011, o Programa Academia da Saúde, que desenvolve ações focadas na prática de atividade física e na promoção da alimentação saudável. Atualmente, o programa possui 2.763 polos, em 2.235 municípios. Em 2019, foram realizadas 262.727 ações de atividade física e 16.192 de alimentação saudável, visando à promoção da saúde e contribuindo para a diminuição da obesidade.

O Programa Saúde na Escola, outra iniciativa importante, promove a saúde e a educação de maneira integral, articulando saúde e escola. Atualmente, o programa está presente em 91.659 escolas de 5.289 municípios. Em 2019, foram realizadas 53.040 ações de atividade física e 240.139 de alimentação saudável e prevenção da obesidade.

Confira os 10 passos para ter uma alimentação saudável

 Com informações do Ministério da Saúde

https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2020/03/ministerio-da-saude-alerta-para-doencas-desencadeadas-pela-obesidade

VIGITEL 2020 - ALGUNS DADOS PARA AVALIAÇÃO

Dados preliminares do Vigitel 2020 mostram que excesso de peso e obesidade cresceram no Brasil

O Ministério da Saúde finalmente divulgou os dados – ainda preliminares – do Vigitel 2020. O inquérito telefônico para vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis é realizado com brasileiros com mais de 18 anos e é fundamental para avaliar as políticas públicas contra doenças cardiovasculares e respiratórias, cânceres, diabetes, obesidade e outras.

Diversas instituições de pesquisa e promoção de saúde da sociedade civil aguardavam por esses dados desde maio, quando costuma ocorrer a publicação. Na época, a ACT manifestou preocupação e solicitou ao governo respostas sobre o atraso, como também sobre a coleta de dados para a pesquisa do ano seguinte, de 2021 – ação que o ministério também deu início na segunda semana de setembro. 

Na sua 15ª edição, o Vigitel teve uma mudança de metodologia e levantou dados no período de janeiro a abril de 2020 – diferente de como era feito até então, no ano todo Ou seja, com essa limitação, os dados não refletem inteiramente os efeitos da pandemia da Covid-19. O estudo também reduziu pela metade o número de entrevistados e contou com ao menos mil indivíduos em cada cidade. Outra novidade é que a pesquisa deste ano coletou informações sobre escolaridade e faixa etária.

Abaixo, a equipe de especialistas da ACT selecionou alguns dados relacionados ao tabagismo, obesidade, alimentação saudável e consumo de bebidas alcoólicas.

Obesidade, excesso de peso e alimentação não-saudável

A proporção de pessoas com obesidade e excesso de peso continua aumentando, tendência verificada desde 2006. De acordo com o Vigitel 2020, 57,5% da população adulta do Brasil está com excesso de peso (era 55,7% em 2019) e 21,5% da população está com obesidade (era 19,8% em 2019). 

Sobre obesidade, eu diria que a apresentação e divulgação do relatório na semana de DCNTs mostrou que a tendência de aumento da obesidade se manteve crescente desde 2006. Se olhar o Vigitel não fala de evolução ainda e não sei se isso foi significativo. Melhor colocar assim do que aquela comparação em dois anos, que geralmente não diz muito sobre a evolução de um indicador

A pesquisa também investigou hábitos de consumo de alimentos saudáveis (como frutas, hortaliças e alimentos minimamente processados) – e produtos não-saudáveis (como os ultraprocessados e bebidas açucaradas) que são fatores de risco para doenças crônicas não-transmissíveis. Vamos a eles?

Sobre os produtos não-saudáveis, 15,2% dos adultos brasileiros referiram consumir refrigerantes quase todos os dias (cinco ou mais dias da semana). Frequência que variou bastante entre as capitais, sendo de 3,8% em Natal, e 25,2% em Porto Alegre. E 18,5% dos adultos brasileiros relataram ter consumido cinco ou mais grupos de produtos alimentícios ultraprocessados no dia anterior à pesquisa, frequência um pouco mais alta entre homens (21,3%) do que mulheres (16,1%). O índice também variou muito conforme as capitais: em Porto Alegre, por exemplo, 27,5% das pessoas relataram ter consumido cinco ou mais grupos de produtos ultraprocessados no dia anterior à pesquisa – enquanto em Salvador esta proporção foi de apenas 8,6%. Viva o nordeste!

Por outro lado, a pesquisa também estimou a frequência de consumo de alimentos que indicam alimentação saudável, ou seja, que protegem a população contra as doenças crônicas não transmissíveis. A frequência de consumo regular (cinco dias ou mais, por semana) de frutas e hortaliças foi de 32,7%, sendo maior entre as mulheres (38,2%) do que entre os homens (26,2%). E variou bastante entre os estados: em Rio Branco esse percentual foi de 21,4% e em Florianópolis, de 48,6%. Outro alimento indicador de alimentação saudável é o feijão: 58,3% das pessoas consumiu feijão cinco ou mais dias da semana, frequência que variou entre entre 28,6% em Manaus e 75,8% em Belo Horizonte. 

Indicadores de tabagismo permanecem estáveis

A prevalência de brasileiros adultos fumantes ficou em 9,5% em 2020, menor em apenas 0.3 pontos percentuais em relação a 2019 (9,8%) e próximo ao índice de 2018 (9,3%). Segundo o Vigitel 2020, a intensidade de tabagismo diminuiu com o aumento da escolaridade e foi particularmente alta entre homens com até oito anos de estudo (15,1%). Cerca de 7% dos entrevistados são considerados fumantes passivos no ambiente domiciliar e 6,3%, no trabalho, índices semelhantes às pesquisas anteriores. A cidade de Florianópolis foi a que teve a maior frequência de adultos fumantes, com 15,1%, e a de menor índice foi Teresina, com 4,2%.

As informações sugerem que os indicadores permanecem estáveis desde 2018, o que pode representar um freio na tendência de queda nos índices desde 1989. Os índices reforçam a necessidade de avanço nas políticas públicas de controle de tabagismo, em especial as de preços e de impostos. Como exemplo, a tabela de preços mínimos de cigarros não é atualizada desde 2016, a despeito das recomendações da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para a redução de tabagismo.

Consumo prejudicial de bebidas alcoólicas

De acordo com o Vigitel 2020, um a cada 5 brasileiros ou 20,9% dos entrevistados consumiram quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas em uma mesma ocasião nos últimos 30 dias antes da pesquisa. Ao contrário do tabaco, a frequência de consumo abusivo de álcool aumenta conforme a escolaridade. O diagnóstico foi ainda mais preocupante entre os mais jovens: foi observado consumo nocivo dos produtos em um quarto (25%) dos entrevistados entre 18 e 25 anos.

O uso prejudicial desta substância, que causa dependência, tem sido comprovadamente relacionado a casos doenças, lesões, acidentes, violência e mortalidade, tanto para a pessoa que consome quanto para aqueles em volta dela e de toda a sociedade. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que o Brasil está acima da média mundial de consumo.

por Emily Azarias e Rosa Maria Mattos

https://blog.actbr.org.br/dcnts/dados-preliminares-do-vigitel-2020-mostram-que-excesso-de-peso-e-obesidade-cresceram-no-brasil/3156#:~:text=A%20propor%C3%A7%C3%A3o%20de%20pessoas%20com,%2C8%25%20em%202019).