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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DROGAS DIGITAIS: e-DRUGS

Os sons são “consumidos” por meio de fones
Modinha entre jovens franceses, as “i-doses” ou “e-drugs” são arquivos de áudio que geram supostos efeitos alucinógenos. Os sons e ruídos, “consumidos” por meio de fones de ouvidos, são baixados ou comprados pela internet. E como não envolvem substâncias ilícitas, as drogas digitais não são proibidas e estão à distância de um clique.
Os supostos efeitos dessas “e-drugs” são baseados na técnica bineural beats. A partir da reprodução de duas frequências diferentes, o cérebro criaria uma terceira para dar equilíbrio.
Cada conjunto sonoro leva um nome e promete efeitos diferentes: alucinógeno, relaxante, energizante, entre outros. “É relativo, elas são baseadas em hipótese e vendidas como fatos concretos”, avalia o Alexandre Pills, psicólogo integrante do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC.
"A sensação é que você vai ver as portas do inferno, fica estressado, se sentindo mal e com dores no corpo”, relata o estudante JB, de 20 anos, sobre sua “e-drug” preferida. Ele mora em Paris e conheceu as drogas digitais há um pouco mais de um mês. O efeito, segundo ele, varia de acordo com a sensibilidade da pessoa. Para justificar a sensação de JB, Alexandre acredita na autosugestão. “É como fumar orégano pensando que é maconha e achar que algo aconteceu”, diz o psicólogo.
Já o publicitário paulistano Claus, de 27 anos, escutou as “e-drugs” e não acredita nos efeitos das pílulas sonoras alucinógenas. “Muito barulho por pouco efeito. Isso é criado para alguém predisposto a sentir os efeitos. Eu ouvi totalmente cético e não aconteceu nada”, conta. Estudante em Paris, Juba, de 23 anos, também acha que as drogas digitais são uma fraude. “Provei uma boa dezena sem ter resultado algum. Escutei as doses mais caras e com fama de serem eficazes, mas não senti nada”, fala.
Para o universitário Harley, 26 anos, o uso frequente levou ao mesmo efeito da meditação. “Conheci em uma comunidade do Orkut, comecei a pesquisar e me interessei mesmo quando vi as doses que mudam as ondas cerebrais. Já sabia que determinados sons tem essa propriedade”, acredita.
Para Alexandre, as “e-drugs” são uma tentativa de dar uma cara nova para um método de meditação e relaxamento. “Até faz sentido. O som é um estímulo, como a luz e a cor. Pegaram essa pequena alteração de estado e colocaram a roupagem de uma droga, mais interessante para essa era digital”, avalia. “Um dos sites trata o representante de vendas como traficante. Já viu traficante fazer isso? É para criar um encantamento e ressalta ainda mais o valor de placebo”, completa.
A diferença das drogas digitais está também na relação do usuário. Enquanto uma droga ilícita é uma compensação, a “e-drug” é uma busca interna porque exige concentração na busca de um efeito. “É diferente procurar algo de fora para resolver um problema ou ter que prestar atenção no ruído, ouvir várias vezes”, diz o psicólogo. (Fonte: ABEAD)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SONO PESADO

Certas pessoas são capazes de dormir em locais com muito ruído, enquanto outras têm sono leve, despertando por qualquer barulho. Um novo estudo buscou investigar os motivos da diferença.
A pesquisa, publicada nesta terça-feira (10/8) na revista Current Biology, descobriu um padrão distinto nos ritmos cerebrais espontâneos naqueles que dormem pesadamente.
“Ao medir as ondas cerebrais durante o sono, pudemos aprender muito sobre a capacidade do cérebro de um indivíduo em bloquear os efeitos negativos dos sons. Observamos que, quanto mais fusos do sono o cérebro produz, mais chances a pessoa tem de continuar dormindo, mesmo em ambientes com ruídos”, disse Jeffrey Ellenbogen, da Escola Médica Harvard, nos Estados Unidos.
Durante o sono, as ondas cerebrais se tornam mais lentas e organizadas. Fusos do sono se referem aos breves picos de ondas de frequência mais elevada. Esses saltos de atividade são gerados pelo tálamo, região envolvida na integração das informações sensoriais (com exceção do olfato).
“O tálamo provavelmente evita que informações sensoriais cheguem a áreas do cérebro que percebem e reagem aos sons. Os resultados de nosso estudo fornecem evidência de que os fusos do sono são marcadores para esse bloqueio. Mais fusos significam mais sono estável, mesmo quando há ruídos”, disse Ellenbogen.
O cientista e colegas se surpreenderam com a magnitude do efeito dos fusos do sono. Eles analisaram em laboratório durante três noites os padrões cerebrais dos voluntários da pesquisa, na primeira noite com silêncio e nas outras duas submetidos a diversos tipos de sons, como telefones tocando, pessoas conversando e ruídos mecânicos.
“Os efeitos dos fusos do sono são tão pronunciados que pudemos percebê-los após apenas uma única noite”, disse Ellenbogen. Os cientistas esperam que o trabalho possa levar ao desenvolvimento de maneiras de aumentar os fusos do sono por meio de técnicas comportamentais, de medicamentos ou de dispositivos.
O artigo Spontaneous brain rhythms predict sleep stability in the face of noise, de Jeffrey Ellenbogen e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.current-biology.com. (Fonte: FAPESP)