Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador semicondutores inorgânicos cristalinos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador semicondutores inorgânicos cristalinos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de outubro de 2010

CATARATA INFANTIL

CATARATA
Apesar de se manifestar especialmente a partir dos 50 anos de idade, a catarata não é uma patologia que só compromete os adultos. Crianças podem nascer com o cristalino - lente natural do olho - opacificada e também podem ter a visão embaçada e as cores esmaecidas ainda na infância. Elas precisam de tratamento urgente quando têm este diagnóstico, para evitar a perda parcial ou total da visão, alerta a oftalmo-pediatra do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Virgínia Cury.
Congênita
Muitas vezes causadas por doenças ao longo da gravidez, como a rubéola, o citomegalovirus (CMV) e outras infecções, ou relacionadas a fatores genéticos, a catarata congênita exige tratamento urgente. "A estrutura ocular perfeita é desenvolvida até os três mes es de idade e a catarata congênita, se não diagnosticada a tempo, pode prejudicar esse desenvolvimento, impedindo que a criança desenvolva uma visão de boa qualidade ao longo da vida", explica Virgínia.
A catarata congênita pode ser diagnosticada já nos primeiros momentos de vida, no exame do olhinho, obrigatório por lei em todas as maternidades brasileiras. O profissional de saúde aponta uma lâmpada especial com uma luz vermelha para os olhos do bebê e verifica se há reflexo vermelho (cor natural da retina, o fundo do olho). Quando branco, esse reflexo indica a existência de algum impedimento como a catarata, por exemplo, para a chegada da luz ao fundo do olho.
"Muitas vezes, a própria mãe percebe que há algo de anormal com o olho de seu filho durante o cuidado cotidiano. Já tive casos em que mães chegavam ao consultório afirmando que perceberam uma diferença na coloração da pupila da criança, quase imperceptível a olho nu", conta a médica.
Segundo a especialista, a melhor forma de prevenir ou diagnosticar a catarata congênita em tempo de tratar é fazendo o acompanhamento pré-natal e o exame ocular no recém-nascido. "É importante que a mãe vá a todas as consultas e faça todos os exames exigidos no pré-natal para que se consiga prever alguma irregularidade no desenvolvimento da criança e para que, ao nascer, possam ser tomadas as devidas providências, evitando a perda da visão do bebê. As chances de resolver o problema são maiores, quanto mais precoce for o diagnóstico", alerta Virgínia.
Catarata Infantil
A catarata também pode acometer crianças na média infância. Fatores como heranças genéticas, traumas oculares, inflamações dentro do olho (uveítes) e o uso inapropriado de corticóides podem desenvolver a opacidade no cristalino.
A especialista do HOB salienta que, apesar de silenciosa, a catarata infantil tem sintomas que podem ser percebidos tanto pela criança quanto pelos pais ou professores. "O paciente apresenta baixa visão, embaçamento, dificuldade para enxergar. A criança também pode apresentar dificuldade para reconhecer pessoas perto ou para ver televisão. Há situações em que pais descobrem que há algo errado com os olhos dos filhos ao tirar fotos e perceberem um reflexo branco na imagem. Em todos os casos, é importante trazer imediatamente a criança para uma avaliação médica", lembra.
Tratamento
O tratamento tanto para a catarata congênita quanto para a infantil varia de acordo com a incidência da doença (em um ou em ambos os olhos), mas a cirurgia do cristalino ocorre nas duas situações. "Quando os dois olhos são operados, o oftalmologista espera a criança crescer até os seis anos de idade, quando o olho vai adquirir a proporção correta para implantar uma lente intraocular. Até lá, o paciente usará óculos para compensar o grau resultante da ausência da lente intraocular", explica Virgínia.
Já quando a catarata incide somente sobre um olho, o tratamento é mais complexo. "Quando apenas um olho é acometido pela catarata, é necessário extrair o cristalino e já implantar uma lente intraocular, já que a ambliopia (diferença muito grande de grau entre os olhos) faz com que o cérebro tenha dificuldade de formar uma imagem. Mesmo com a lente implantada, a criança passará por um tratamento de compensação e estímulo visual para evitar o surgimento de ambliopia, com a utilização de tampão e óculos", completa.
Quando o paciente alcançar os 6 anos de idade, a estrutura ocular estará mais desenvolvida, e será submetido a uma nova cirurgia para trocar a lente implantada anteriormente por uma nova que o acompanhará pela vida. A especialista do HOB alerta que "uma operação tardia do cristalino danificado, no caso da catarata congênita, depois dos 3 meses de idade, comprometerá severamente a qualidade de visão do paciente ao longo da vida".
Cuidados
A oftalmo-pediatra do HOB lembra que é extremamente importante que os pais exijam que o hospital onde for realizar o parto faça o exame do reflexo vermelho (teste do olhinho), obrigatório desde 2009 em todas as maternidades brasileiras. "Os pais devem ficar atentos aos menores sinais de que algo não vai bem com os olhos dos filhos, desde manchas, variações de cor da pupila ou dificuldade para enxergar".
(Fonte: ATF-Revisão e Edição: André Lacasi/consumidorrs)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

PELE ELETRÔNICA

e-SKIN
Cientistas conseguem produzir pele eletrônica sensível
a pressão a partir de nanofios semicondutores
Um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, conseguiu produzir um material eletrônico sensível à pressão a partir de nanofios semicondutores. A conquista abre caminho para o desenvolvimento de um novo tipo de pele artificial.
“A ideia é fazer com que o material tenha funcionalidades semelhantes à da pele humana, o que implica incorporar a capacidade de tocar e de sentir objetos”, disse Ali Javey, professor de engenharia elétrica e de ciência da computação e líder do estudo, cujos resultados foram publicados neste domingo (12/9) na revista Nature Materials. O material, denominado de e-skin (“pele eletrônica”) por seus criadores, é o primeiro feito de semicondutores inorgânicos cristalinos.
Produzir uma pele artificial sensível ao toque ajudaria a vencer um grande desafio na robótica: controlar a quantidade de força necessária para segurar e manipular uma ampla gama de objetos.
“Os humanos sabem como segurar um frágil ovo sem quebrá-lo. Se quisermos que um robô faça isso, ou lave as louças, por exemplo, precisamos ter certeza de que ele não quebrará as taças de vinho no processo. Mas também queremos que o mesmo robô seja capaz de segurar com firmeza uma chaleira sem derrubá-la”, disse Javey.
Um objetivo mais distante é usar a e-skin para restaurar o sentido do tato em pacientes que precisam de membros protéticos. Essas novas próteses exigiriam avanços importantes na integração de sensores eletrônicos com o sistema nervoso humano.
Tentativas anteriores de desenvolver pele artificial se basearam em materiais orgânicos, por serem flexíveis e de processamento relativamente simples.
“Mas o problema é que os materiais orgânicos não constituem bons semicondutores, o que implica que dispositivos eletrônicos feitos com eles precisarão frequentemente de altas voltagens para que seus circuitos funcionem”, disse Javey.
Segundo ele, materiais inorgânicos como o silício, por outro lado, têm propriedades elétricas excelentes e podem operar com pouca energia. Também são quimicamente estáveis. “Mas, historicamente, esses materiais têm sido inflexíveis e fáceis de quebrar”, disse.
“Nesse aspecto, trabalhos de vários grupos de pesquisa, inclusive o nosso, têm mostrado recentemente que fitas ou fios minúsculos de materiais inorgânicos podem ser feitos para que sejam altamente flexíveis, isto é, ideais para eletrônicos e sensores de alta performance”, afirmou.
O grupo californiano utilizou uma nova técnica de fabricação. Inicialmente, os cientistas implantaram fios com espessura nanométrica (bilionésimos de metro) em um tambor cilíndrico. Em seguida, o tambor foi rolado em um substrato pegajoso.
O substrato usado foi um filme polimérico, mas os pesquisadores dizem que a técnica funciona com diversos materiais, como outros plásticos, papel ou vidro.
À medida que o tambor rolava, os nanofios eram depositados no substrato de maneira ordenada, formando a base a partir da qual folhas finas e flexíveis de materiais eletrônicos podem ser construídas.
Os pesquisadores imprimiram os nanofios em matrizes quadradas com 18 por 19 pixels, medindo 7 centímetros de cada lado. Cada pixel continha um transistor feito de centenas de nanofios semicondutores. Os transistores foram integrados sob uma borracha sensível a pressão, de modo a se inserir a funcionalidade sensorial.
A matriz precisou de menos de 5 volts de eletricidade para funcionar e manteve seu rendimento após ter sido submetida em testes a mais de 2 mil ciclos de dobras.
Segundo os autores do estudo, a e-skin foi capaz de detectar pressões de 0 a 15 quilopascals, uma variação comparável com a força usada para atividades diárias como digitar em um teclado de computador ou segurar um objeto.
O artigo Nanowire active-matrix circuitry for low-voltage macroscale artificial skin (doi: 10.1038/nmat2835), de Ali Javey e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Materials em www.nature.com/naturematerials. (Fonte: FAPESP)