Pesquisar este blog

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CIGARRO e ENFISEMA PULMONAR

Experimento com camundongos descreve o processo que leva ao enfisema.
Mapeamento genético das células afetadas pela fumaça mostrou o papel de cada uma no caminho da doença
RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO
Estudos em seres humanos já indicaram, e pesquisas em camundongos agora comprovaram, que é a ativação do próprio sistema de defesa do organismo pela fumaça do cigarro a causa da destruição de células do pulmão dos fumantes que leva ao enfisema.

Considerada uma doença pulmonar obstrutiva crônica, o enfisema tem como principal sintoma a dificuldade em respirar. Essas doenças crônicas do pulmão deverão, na próxima década, tornar-se a quinta maior causa de morte no mundo, segundo o estudo publicado na revista "Science Translational Medicine".
O sistema imune atua contra invasores do organismo causadores de doenças, como micróbios. A defesa é feita por anticorpos que reagem contra substâncias presentes no invasor, os antígenos, e também pelos glóbulos brancos do sangue.
O corpo conclui que a fumaça é um invasor e entra em ação. Glóbulos brancos especializados em orquestrar a resposta imune são ativados pela fumaça e participam da cadeia de reações que destrói as células do pulmão.
BICHOS FUMANTES
O estudo foi feito com uma câmara que simulava o uso de cigarro pelos camundongos. Os bichos expostos à fumaça desenvolviam enfisema depois de alguns meses.
A líder do trabalho, Farrah Kheradmand, da Faculdade de Medicina Baylor, no Texas (EUA), afirma que o estudo provou pela primeira vez que as células de defesa dirigem a cascata inflamatória do enfisema causado por cigarro.
Ela lembra que esse tipo de teste não pode, por óbvios motivos éticos, ser conduzido em humanos, mas os resultados com os camundongos "fumantes" comprovaram achados anteriores da equipe com tecido pulmonar de pessoas com enfisema.
Depois do período do experimento, o pulmão dos camundongos ficou com níveis altos de citocinas, substâncias envolvidas na comunicação entre as células, como as do sistema de defesa.
Os genes desses glóbulos brancos ativados pela fumaça foram mapeados. "É como entrar em uma cena de crime", diz Kheradmand. A fumaça pode provocar o crime, mas algumas células agem como cúmplices, enquanto outras tentam limitar o dano.
A citocina chamada interleucina-17 agravou a inflamação, enquanto uma célula de defesa, a célula T gama delta, atenuou seus efeitos.
"A inflamação que produz o enfisema pode também levar ao desenvolvimento de câncer, uma hipótese que começamos a investigar."
A médica lembra que apesar do alcance cada vez maior do enfisema, não há terapia específica para a doença.
"Estamos mais próximos de achar um papel para cada célula que participa da destruição do pulmão em resposta ao cigarro", diz Kheradmand. Ela crê ser possível o redirecionamento da células "cúmplices" para interromper a inflamação progressiva. 
(Fonte:São Paulo, sexta-feira, 20 de janeiro de 2012Ciência

Um comentário: