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sábado, 25 de dezembro de 2010

DIAGNÓSTICO PRECOCE DE METÁSTASE

Célula de câncer de mama.
Os vários filamentos vistos na imagem sugerem
 a busca por alimento, essencial à reprodução celular
 (foto: Indiana University / The Center for Genomics and Bioinformatics).
Vasculhar os genes de células cancerosas revelou-se um meio eficaz para o diagnóstico precoce de metástase, que afeta 90% dos pacientes que morrem de câncer. A conclusão vem de um estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Patologia Básica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo.
Eles detectaram um traço comum entre pacientes que sofreram metástases e faleceram em decorrência da doença: dois genes (CXCL12 e ER) haviam se tornado inativos nos tumores da mama. O trabalho foi publicado no periódico britânico BMC Cancer.
Durante quatro anos, a equipe coordenada pela bioquímica da UFPR Giseli Klassen analisou cerca de 70 tumores de mama de pacientes do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba.
“Não sabemos exatamente por quê, mas reações químicas fazem com que esses genes deixem de se expressar, dando origem a metástases”, diz Klassen, que é líder do grupo de estudos em epigenômica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A epigenética estuda os mecanismos por meio dos quais o ambiente influencia o comportamento das células sem modificar o código genético.
A partir do conhecimento dos genes envolvidos na progressão do câncer de mama, é possível identificar possíveis casos de metástase antes do aparecimento de qualquer sintoma. “Hoje não temos um exame capaz de identificar o início desse processo”, diz a pesquisadora da UFPR.
“Na maioria das vezes, os tumores são descobertos a partir do aparecimento de sintomas, quando o câncer geralmente já está em fase avançada e a resposta ao tratamento costuma ser pequena”, explica Klassen.
O próximo passo agora é desenvolver um modo de fazer essa análise de forma menos invasiva, por meio de exames de sangue. Segundo Klassen, a grande maioria dos pacientes com câncer libera células tumorais ou DNA na corrente sanguínea quando a metástase está em curso. Por isso, também é possível identificar esse ‘silenciamento’ epigenético no sangue, embora ainda não existam marcadores tumorais para esse fim.
Arautos do silêncio genético
Só neste ano deverão ser registrados cerca de 49 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Em um percentual que varia de 10% a 15% dos casos, a doença se manifesta de forma agressiva e pode apresentar novas lesões tumorais.
Sobre os dois genes inativados, a bioquímica da UFPR explica que o CXCL12 auxilia na resposta imune quando necessário, produzindo proteínas para atrair leucócitos (glóbulos brancos do sangue envolvidos na defesa orgânica celular e imunitária).
O gene ER, por sua vez, produz os receptores do hormônio estrógeno, responsáveis pela proliferação da glândula mamária.
Segundo Klassen, parece que, quando esses genes são silenciados por mecanismos epigenéticos (que envolvem modificações químicas no DNA ou nas proteínas a ele associadas), há liberação de células tumorais da mama para seus alvos de metástase. O câncer então se alastra principalmente para os pulmões, os linfonodos, o fígado e os ossos.(Fonte: Luan Galani - Especial para a CH On-line / PR)

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