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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

CAMINHADA: FORTE ALIADA CONTRA DEMÊNCIA

Os números assustam. Existem hoje, segundo a Alzheimer’s Disease International (ADI), mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem de demência. Até 2050, a projeção é que mais de 110 milhões de pessoas sejam afetadas. Na corrida contra os danos, os resultados de uma pesquisa realizada na Universidade de Pittsburgh, nos EUA, apontam que uma simples caminhada pode ajudar a recuperar o cérebro e a prevenir contra danos cognitivos, inclusive a doença de Alzheimer.
O estudo acompanhou 426 pessoas por 20 anos: 299 eram perfeitamente saudáveis e tinham uma idade média de 78 anos; 127 tinham a capacidade cognitiva comprometida e suas idades giravam em torno dos 81 anos; e 83 sofriam de prejuízo cognitivo leve e 44 tinham a doença de Alzheimer.
O objetivo da pesquisa era avaliar a relação entre a prática de exercícios físicos e reposição do volume de massa cinzenta. Esta substância é o famoso córtex cerebral, parte externa dos hemisférios cerebrais. Sua constituição é de neurônios, que processam a informação no cérebro.
Para alcançar o objetivo, os cientistas envolvidos no estudo mediram a distância que cada paciente caminhava por semana. Após 10 anos de observação, todos foram submetidos a uma ressonância magnética em 3D para identificar alterações no volume cerebral. “O volume é um sinal vital para o cérebro. Quando diminui, significa que as células cerebrais estão morrendo”, explicou o coordenador Cyrus Raji, especializado em patologia celular e molecular e pesquisador da doença de Alzheimer, durante a apresentação dos resultados no encontro anual da Radiological Society of North America (RSNA), a Sociedade Radiológica da América do Norte. A distância caminhada por cada um foi comparada ao resultado da ressonância magnética, ajustando fatores como peso, idade, sexo e escolaridade.
Quem fazia mais exercícios físicos apresentou aumento de volume nas regiões frontal (movimentação, linguagem, personalidade), occipital (visão e informação visual), temporal (audição, compreensão da linguagem, informação visual, aprendizagem e memória), entorrinal (memória de curto prazo) e hipocampal (conversão da memória de curto prazo em memória de longo prazo) do cérebro. Também foram realizados exames para medir a capacidade cognitiva, e quem conseguiu reposição da massa cinzenta através da caminhada apresentou maiores resistências contra declínio cognitivo e demência.
Os pesquisadores recomendam que quem já sofre de dificuldades cognitivas caminhe pelo menos oito quilômetros por semana para manter o volume do cérebro e desacelerar o declínio da cognição.
Para pessoas saudáveis, são indicados ao menos 9,5 quilômetros para manter o volume cerebral e reduzir significativamente o risco de complicações cognitivas. Além do corpo, a mente também agradece por uma boa caminhada, mas para ela não adianta se esforçar e ir muito além do recomendado, pois andar distâncias maiores não ajudará na reposição cerebral.
O estudo, segundo os pesquisadores, representa um passo significativo na busca por meios de prevenir o Alzheimer. “Como a cura ainda não é uma realidade, esperamos encontrar meios de aliviar a progressão da doença”, disse Raji, que considera a caminhada uma forte aliada no combate à demência. “Pode aprimorar a resistência do cérebro e reduzir a perda de memória com o tempo”, afirmou.

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