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domingo, 14 de abril de 2013

ALCOOLISMO DENTRE OS MAIS POBRES


PARABÉNS AO GOVERNO DO "CARA", À  "INDÚSTRIA DA DESTRUIÇÃO", AOS PUBLICITÁRIOS e
 ÀS CELEBRIDADES: ESTÃO FAZENDO UM ÓTIMO TRABALHO, ORGULHO DA NAÇÃO!

População pobre consome álcool de forma abusiva

Levantamento mostra que 71% das pessoas da classe C passaram a beber em excesso nos últimos anos; situação traz impacto na saúde pública
Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo revela um cenário preocupante: sete entre cada dez brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por mês ingerem álcool de forma abusiva. O levantamento mostra que o consumo, que já era expressivo, explodiu nessa parcela da população nos últimos seis anos. Segundo a pesquisa, quanto menor a renda, maior o consumo excessivo de álcool. Na classe E, 71% bebem de forma exagerada. Já na C, o índice é de 60%, na B de 56% e na A de 45%. 

O estudo foi feito com 4.607 pessoas com mais de 14 anos em 149 municípios. Para homens, é considerado beber de forma abusiva o consumo de ao menos cinco doses de bebida em um período de duas horas. Entre mulheres, a relação é de quatro doses em duas horas. Uma dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de pinga. 

Segundo o sócio-diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, especializado em pesquisas de consumo nas classes C e D, a melhora do padrão de vida promove a diversificação de compras de produtos industrializados. E, assim, o álcool vem ganhando espaço. 

Na opinião de Meirelles, ‘’antes, a bebida era vinculada ao ‘esquecer da vida’, uma espécie de fuga. Mas hoje o álcool é associado aos momentos de lazer, entretenimento e celebração.’’ 

Para Angela Lima, diretora dos serviços complementares de saúde de Londrina – que abrange o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD) – o consumo de álcool é algo cultural no Brasil e as pessoas inseridas nas camadas mais baixas realmente encontram na bebida uma forma de entretenimento. "O lazer é o bar. É como se beber fosse uma obrigação", afirma. 

Ela ressalta que entre 2011 e 2012 os atendimentos realizados pelos serviços complementares em Londrina aumentou 400%. O crescimento expressivo, na visão dela, não significa somente que as pessoas aumentaram o consumo de bebida, mas demonstra também que os serviços oferecidos estão sendo cada vez mais reconhecidos. 

O excesso de álcool, de acordo com a diretora, acarreta em diversas consequências negativas. "O Brasil apresenta altíssimos índices de prejuízo em decorrência do vício. As políticas públicas precisam evoluir", cobra. 

O coordenador da pesquisa, Ronaldo Laranjeira, da Unifesp, reforça a necessidade de fortalecer as políticas. Para ele, os números evidenciam o quanto as pessoas mais pobres sofrem com a ausência de uma estratégia efetiva do governo. "É uma política acovardada", critica. 

Ele ressalta que dentro de alguns anos esse aumento será visto nas contas públicas, uma vez que as classes menos privilegiadas dependem essencialmente de serviços públicos de saúde. 

O secretário de Saúde de Londrina, Francisco Eugênio, constata que o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem estrutura suficiente para atender a demanda que cresce na cidade. "O impacto é grande. Além das doenças crônicas, o consumo excessivo de álcool acarreta em distúrbios de comportamento que podem ser ainda mais graves", comenta. 

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 329 Caps, com capacidade para realizar 7,8 milhões de atendimentos ao ano. (Colaborou Mônica Reolom/Agência Estado)

Paula Costa Bonini

Reportagem Local

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