Pesquisar este blog

segunda-feira, 7 de março de 2011

CIRURGIA ROBÓTICA

"DA VINCI" OPERANDO
Pioneiro no uso da cirurgia robótica, o Hospital Sírio-Libanês recebeu, em 2008, o primeiro robô do país. O Da Vinci (The da Vinci Surgical System) custou cerca de R$ 5 milhões e já realizou, até o momento, mais de 200 operações. “A grande vantagem do robô é facilitar a cirurgia laparoscópica, tornando-a menos invasiva ao paciente”, afirma o urologista Anuar Mitre, um dos primeiros no país a utilizar o robô Da Vinci em procedimentos cirúrgicos. “Com ele, é possível realizar cortes menores, reduzir sangramentos e facilitar a recuperação, tornando-a mais rápida. Também diminui os riscos de uma infecção hospitalar”, acrescenta o especialista.
Desenvolvida para ser realizada nos campos de batalha, espaço onde os profissionais de saúde não podem estar constantemente presentes, a cirurgia robótica é usada em diversas especialidades médicas. “Ela pode ser utilizada na urologia, na ginecologia e em cirurgias do aparelho digestivo, torácica, cardíaca, da cabeça e do pescoço, entre outras”, explica Carlo Passerotti, cirurgião do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que também adotou a tecnologia. “Os robôs são úteis, principalmente, em procedimentos que requerem suturas e processos delicados, realizados em espaços limitados”.
Ainda segundo o médico, já existem diversos procedimentos que foram facilitados pela robótica: “a própria prostatectomia era, até o momento, pouquíssimo realizada pela via laparoscópica, devido às dificuldades e à necessidade de suturas em espaços restritos. Outros exemplos são as nefrectomias parciais.”
Precisão e profundidade
O primeiro robô criado para ser utilizado em cirurgias data de 1985, e tinha por objetivo direcionar uma agulha na biópsia cerebral. Em 1997, a Intuitive Surgical criou uma tecnologia que deu origem ao Da Vinci. O robô, que se assemelha a um polvo, possui quatro braços: em um deles, há uma câmera que reproduz imagens em 3D, e os outros três ficam livres para portarem instrumentos cirúrgicos, como tesouras, pinças e bisturis. “Quem opera a câmera também é o cirurgião. Com os braços, conseguimos chegar a lugares que a mão humana pode ser grande demais para alcançar”, afirma Mitre. A imagem vista na tela pode ser ampliada em até dez vezes, mantendo sua nitidez e sensação de profundidade, sem ser necessário abrir ainda mais a região operada. Além de não reproduzirem o natural tremor das mãos, os braços mecânicos permitem 7 graus de rotação a mais que a capacidade da mão humana.
A partir de uma mesa de controle, à medida que o médico move as mãos e os dedos, o robô reproduz os movimentos no corpo do paciente. “São movimentados sempre dois braços por vez”, explica Mitre. “Com esse tipo de cirurgia, é possível, inclusive, operar a distância, por telecirurgia, com o médico e o paciente em países diferentes, por exemplo”.
Treinamento
Atualmente, não é mais necessário sair do país para aprender a operar a máquina. Desde 2009 oferecendo treinamento aos médicos, o Hospital Sírio-Libanês é o pioneiro nessa atividade. “O curso dura dois dias inteiros, e é fácil lidar com a máquina”, relata Mitre. Já são mais de 80 profissionais formados e capacitados para lidar com o robô no Brasil.
A partir de 2011, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz também oferecerá treinamento. “Estamos desenvolvendo uma especialização para médicos recém-formados e interessados em realizar um aperfeiçoamento em cirurgia robótica, na área de urologia”, afirma Passerotti.
Segundo Mitre, o aprendizado é rápido, e o manuseio do equipamento é fácil. “Quase intuitivo”, acrescenta. “Me interessei pela cirurgia robótica porque queria diminuir o nível de invasão no corpo do paciente. E, com o robô, isso é possível”, conta o médico, que fez o treinamento na Flórida.
Pós-doutor pela Harvard Medical School, nos Estados Unidos, Passerotti aprendeu a técnica sob a supervisão de um profissional que já realizava a cirurgia robótica havia mais de cinco anos: “Minha experiência em treinamento foi um pouco diferente da de todos os outros cirurgiões brasileiros. Normalmente, realizam-se um curso de dois dias e, depois, no mínimo quatro cirurgias supervisionadas. No meu caso, tudo isso foi realizado nos Estados Unidos, com a supervisão de um expert em cirurgia robótica e ainda com um treinamento intenso em laboratório, antes da primeira cirurgia”.
Ambos os especialistas concordam que essa tecnologia só tem a somar na formação dos residentes, mas ela não deve se sobrepor aos procedimentos comuns. “Em casos de complicações e dificuldade cirúrgica, o acesso aberto é realmente necessário para finalizar a cirurgia”, alerta Passerotti. “As melhores maneiras de aperfeiçoar e praticar a técnica com segurança e bons resultados são o treinamento e a prática contínua.”
Realidade nacional
Enquanto nos Estados Unidos e em alguns países europeus a cirurgia robótica já é usada em larga escala, no Brasil ainda se caminha em passos lentos. Além de ela não ter chegado ao Sistema Único de Saúde (SUS), o custo da operação é alto.
Oferecida por apenas três hospitais no Brasil – Sírio-Libanês, Albert Einstein e Oswaldo Cruz –, a cirurgia feita por esse robô custa ao bolso do paciente um valor cerca de 20% mais alto do que o de uma operação comum. “Custa cerca de R$ 8 mil. Mas as vantagens desse tipo de intervenção compensam o gasto”, defende Mitre. “O robô custa, hoje, para o hospital, em torno de US$ 1,8 milhão. E são mais US$ 200 mil gastos anualmente para a manutenção.”
Além das dificuldades encontradas para a popularização da prática no país, existem as dificuldades enfrentadas pelos cirurgiões: “A primeira é realizar o curso, e a segunda é conseguir pacientes para manter seu treinamento. Outro obstáculo para alguns cirurgiões é a aceitação de um ‘supervisor’ para a cirurgia quando se tem mais experiência em outras técnicas”, conta Passerotti. “Mas acredito que, no futuro, estas técnicas robóticas tendem a evoluir ainda mais e devem ganhar grande espaço no tratamento dos pacientes. Elas devem chegar, no Brasil, a níveis próximos aos dos Estados Unidos, onde quase 85% das cirurgias de próstata são realizadas com a técnica robótica. Mas isso deve demorar mais tempo, devido ao seu custo”, finaliza o cirurgião.

3 comentários:

  1. esse site me ajudou muito com a feira de ciencias da minha escola
    obg

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. esse site tem mts coisas interessantes + vamos dissse q men sempre o robo e mt util ex o robo nao tem sentimento...

      Excluir
  2. Oi.
    Ainda bem, não?
    Fraternal abraço.
    Joni

    ResponderExcluir